Era uma vez um menino azarento que tinha um cavalo mágico. Quando os seus joelhos dobravam em cima do cavalo, cresciam à sua frente degraus mágicos até à altura dos olhos. O sol uma aranha que se mexia e atacava as mãos. Nem com a força do polegar, tapava os raios. Queimavam em festa de luz. Era uma vez a espada, pesada, mas com ela ganhava um coração de pedra e o tamanho dos lobos vadios. Hoje, tinha acordado triste, zangado, conseguia ouvir a chuva e o vento. Sem medo, a música era bonita. Arrastou as mãos e era perfeito, bateu os pés para sacudir para rasar as arvorezinhas redondas em baixo e, às portas do sono, encontrou a terra. Encarnada e quente. Tinha o capacete picado pelas garras dos castelos e pelo hálito dos dragões, que abrira com a espada em faíscas. Seguira-lhes o rasto. Uma voz forte e grossa e rouca. Atravessou o pólen, o perfume sagrado da terra e veio a tempestade. Juntou-se a ela, mergulhando a fundo, na dança, tilintando no ar e despenhou-se na floresta.
Acordou, atordoado, com as pestanas cercou tudo à volta e viu os gatos a ronronar com a noite. Dobrados, parecem que enrolam o tempo inteiro do mundo no corpo a fumegar. Tinha chegado cedo, então. Despiu a armadura como se o próprio corpo, largando a espada pesada. Estava a amanhecer. E o coração mexeu-se, de cansado.